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Equinócio

“Parece escrito em vento de orvalho: tem atrevimento, inquietude, contradição, clima de abril, para nos lembrarmos sempre tanto da proximidade do inverno quanto da vitória sobre o inverno, que virá, precisa vir, talvez já tenha chegado…”

Friedrich Nietzsche, A Gaia Ciência.

Certas pessoas têm mais de um aniversário. Mudava-se a data de nascimento que coincidisse com fatos de triste memória. Por vezes, com o tempo já ninguém se lembra por que a data seria esquecida! Minha avó comemorava o 7 e o 10 de fevereiro… O blog, criado em 11 de sentembro de 2007, ganha hoje uma segunda data de inauguração, sob os auspícios do equinócio, da lua crescente e da nova apresentação, assinada por Tiago Kaphan, que além de possuir senso estético é versado na linguagem misteriosa das máquinas.

Neste 23 de setembro começa a nova experiência: usar uma linguagem mais pessoal e mais leve, acessível com um clique, para falar sobre arte contemporânea, em geral motivo de desentendimento ou de considerações insondáveis, incompreensíveis.

Ao mesmo tempo, oferecer interpretações para aquilo de que se tem muita informação, mas mesmo assim acaba fazendo pouco sentido. 

Nietzsche outra vez:

“Por fim, que o essencial não deixe de ser dito: desses abismos, da grave enfermidade, assim como da enfermidade de uma grave suspeita, regressamos regenerados, calejados, mais intrépidos, mais corajosos, com um gosto mais agudo pela alegria, com um paladar mais delicado para as coisas boas, com bom humor, com uma segunda e mais perigosa inocência, na alegria ao mesmo tempo infantil e cem vezes mais refinada do que jamais havíamos sentido antes.” 

23/09/2007