blog do Bento

Textos de José Bento Ferreira

Uma outra história da arte

Lá se vão mais de 50 anos que Andy Warhol expôs caixas de sabão em pó “Brillo” numa galeria e o consenso em torno da autonomia das obras de arte moderna começou a ser desfeito. Ainda assim, soa como uma imprudência falar em história da arte a partir dos anos 60 e seria até mesmo uma impostura pretender fazer história da arte contemporânea.

Se há historiografias especializadas na guerra fria e nos regimes autoritários latino-americanos, por que a história da arte nesse período permanece nebulosa? O que há de especial no objeto “arte” que o torna tão enigmático?

Ao mesmo tempo, a globalização traz conseqüências inesperadas para o mundo da arte. Em lugar de unificar o mundo numa forma só de experiência estética (à qual o modernismo se apresentou como candidato único) e em lugar de reunir imagens de todos os povos numa história geral da arte (como o “museu imaginário” de André Malraux), se olharmos ao redor (o que curiosamente parece muito difícil), perceberemos que cada vez faz menos sentido distinguir a “arte popular” (world art), referência cultural, da arte “culta”, erudita.

Hans Belting chama de “arte global” essa forma nova de obra de arte. Considerar o fenômeno da “arte global” pode não resolver o problema da história da arte a partir dos anos 60, mas põe em xeque os próprios conceitos de história da arte e obra de arte. Como construções do pensamento, esses conceitos não caíram do céu, surgiram em épocas específicas e em lugares específicos.

As mudanças históricas significativas que atingiram esses lugares revelaram sua especificidade e conseqüentemente a particularidade dos conceitos que se acreditava universais, como liberdade, democracia, indivíduo, amor e arte.

Ao longo do ano de 2014, essas idéias serão discutidas às terças-feiras no Ateliê 2e1.

Textos -
- February 26, 2014

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