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Uma outra história da arte

Lá se vão mais de 50 anos que Andy Warhol expôs caixas de sabão em pó “Brillo” numa galeria e o consenso em torno da autonomia das obras de arte moderna começou a ser desfeito. Ainda assim, soa como uma imprudência falar em história da arte a partir dos anos 60 e seria até mesmo uma impostura pretender fazer história da arte contemporânea.

Se há historiografias especializadas na guerra fria e nos regimes autoritários latino-americanos, por que a história da arte nesse período permanece nebulosa? O que há de especial no objeto “arte” que o torna tão enigmático?

Ao mesmo tempo, a globalização traz conseqüências inesperadas para o mundo da arte. Em lugar de unificar o mundo numa forma só de experiência estética (à qual o modernismo se apresentou como candidato único) e em lugar de reunir imagens de todos os povos numa história geral da arte (como o “museu imaginário” de André Malraux), se olharmos ao redor (o que curiosamente parece muito difícil), perceberemos que cada vez faz menos sentido distinguir a “arte popular” (world art), referência cultural, da arte “culta”, erudita.

Hans Belting chama de “arte global” essa forma nova de obra de arte. Considerar o fenômeno da “arte global” pode não resolver o problema da história da arte a partir dos anos 60, mas põe em xeque os próprios conceitos de história da arte e obra de arte. Como construções do pensamento, esses conceitos não caíram do céu, surgiram em épocas específicas e em lugares específicos.

As mudanças históricas significativas que atingiram esses lugares revelaram sua especificidade e conseqüentemente a particularidade dos conceitos que se acreditava universais, como liberdade, democracia, indivíduo, amor e arte.

Ao longo do ano de 2014, essas idéias serão discutidas às terças-feiras no Ateliê 2e1.